Família X Adolescente/jovemX Estado- (A dicotomia: conservadorismo e evolução)- Parte I

“A modernidade centra-se nestas duas vertentes: O conceito de "evolução", concluindo que o que é mais novo é melhor, pois é mais avançado em termos evolucionistas.

O conceito de evolução é transportado sem filtros para dentro da cultura e pronto.

O resultado disso é que a Vida agora é simples vida. Efêmera e volátil, sem grandes esperanças, caótica, darwiniana luta do mais forte, agora transfigurada pelo "mais moderno": vença quem tiver o I-Phone 5.”

(Luís Afonso Assumpção)

“É Proibido proibir”, lema este, que ganhou espaço na psicologia, pedagogias modernas provindas a partir da década de 60. O atual caos é culpa de quem? do “conservadorismo” ou da “evolução” humana? Eis a questão, em  MOTA  podemos refletir o papel da perimissividade e da autoridade:

“  (...) não podemos de forma alguma abrir mão do nosso papel de pais, que mais do que amigos temos a obrigação de dispor a nossos filhos um sistema educacional que os preparem para a vida e os possibilitem a dar o melhor de si. (...) Entre autoritarismo e permissividade? Mais uma vez o equilíbrio está próximo do meio. Se trocarmos a palavra autoritarismo por autoridade, e pensarmos em uma partida de futebol, talvez um placar de 3 a 2 com vitória da autoridade seja um número bastante interessante.” ( Mota, 2005)

Fatos atuais de agressões às instituições e professores são inúmeros. Estes acontecimentos nos levam à refletir até que ponto é proibido proibir e até onde a autoridade (não o autoritarismo)  tem o seu lugar na formação do indivíduo.

Atualmente há dois tipos de famílias segundo Mota:

“ (...) de um lado encontramos aqueles pais que tentam impor seus conceitos de forma agressiva, não valorizando o potencial de seus filhos e exercendo uma atitude de aparente domínio, mas que com freqüência causa um quadro de baixa alto estima e insegurança, acabando por desenvolver nessas crianças um comportamento depressivo ou uma reação opositiva; - por outro lado, vemos atitudes que refletem insegurança e medo dos próprios pais em não serem aceitos por seus filhos, fazendo com que estes acabem exercendo um papel de domínio sobre a família, gerando desconforto e prejuízo para ambas as partes. É comum nesses casos observamos um comportamento nesses filhos caracterizado pela inversão no papel da autoridade na família. É de extrema importância tentarmos exercer um processo educativo baseado na identificação comportamental de nossos filhos, no entendimento de seu papel como indivíduos.(...)” ( Mota, 2005)

 

Observemos um pequeno histórico sobre a transformação das famílias provinda da revolução francesa aos dias atuais. Em Carvalho há uma exposição e análise de uma realidade que reflete nos dias de hoje. A família  desconhece  o seu papel perante à  Modernidade, delegando às instituições de ensino e ao ESTADO  a formação afetiva do indivíduo.

 “A Revolução Francesa(...) abolindo os laços tradicionais de lealdade territorial, familiar, pessoal e grupal e instaurando em lugar deles um novo sistema de liames legais e burocráticos em que a obrigação de cada indivíduo vai para o Estado em primeiro lugar e só secundariamente – por permissão do Estado – a seus familiares e amigos. A sociedade “natural”, formada ao longo dos séculos sem nenhum planejamento, por experiência e erro, foi enfim substituída pela sociedade planejada, racional-burocrática, em que os átomos humanos, amputados de qualquer ligação profunda de ordem pessoal e orgânica, só têm uns com os outros relações mecânicas fundadas nos regulamentos do Estado ou afinidades de superfície nascidas de encontros casuais nos ambientes de trabalho e lazer. Tal é a base e origem da moderna família nuclear.” ( Carvalho, 2012)

 Como a família não reconhece e não desempenha  a sua função na formação afetiva do indivíduo, o Estado por sua vez é incapaz de realizá-la, por sua superficialidade gerada pelas relaçôes mecânicas, originadas do seu aspecto racional-burocrata. Por consequência deste fato, podemos ver em nossos educandos  uma perda de sentido pela vida, e nós educadores escutamos todos os dias: Para qué aprender isto?

O Estado culpa a nós educadores pela apatia de nossos educandos,  pela massiva evasão escolar. Esquecendo-se que não é competência do mesmo, a for

-mação integral dos valores e da afetividade do educando. Destaca-se portanto, o que  pode haver  é uma soma de valores (educando e Instituição de ensino), mas esta  última não substitui o núcleo familiar (ainda que este se encontre fragmentado) na formação  integral do indivíduo.

“Max Weber descreve esse processo como um capítulo essencial do “desencantamento do mundo”, em que a perda de um sentido maior da existência é mal compensada por sucedâneos ideológicos, pela indústria das diversões públicas e por uma “religião” cada vez mais despojada da sua função essencial de moldar a cultura como um todo. Nessas condições, assinala Weber, é natural que a busca de uma ligação com o sentido profundo da existência reflua para a intimidade de ambientes cada vez mais restritos, entre os quais, evidentemente, a família nuclear. Mas, na medida mesma em que esta é uma entidade jurídica altamente regulamentada e cada vez mais exposta às intrusões da autoridade estatal, ela deixa de ser aos poucos o abrigo ideal da intimidade e é substituída, nessa função, pelas relações extramatrimoniais.” ( In Carvalho, 2012)

A “Crise de gerações” nasce e enumera diversos exemplos negativos praticados em nossa atualidade através: do consumismo materialista, do abandono de crianças e idosos, do desacato crescente às autoridades, do individualismo exarcebado, da indiferença, da corrupção, a ponto do ser humano tonar-se um um sociopata em potencial (incapaz de viver em sociedade). A substituição da autoridade familiar pelo poder impessoal da burrocracia tem construido cada vez mais uma sociedade aos moldes egocentrista e pragmática.

“Separada da proteção patriarcal, solta no espaço, dependente inteiramente da burocracia estatal que a esmaga, a família nuclear moderna é por sua estrutura mesma  uma entidade muito frágil, incapaz de resistir ao impacto das mudanças sociais aceleradas e a cada “crise de gerações” que as acompanha necessariamente. Longe de ser a morada dos valores tradicionais, ela é uma etapa de um processo histórico-social abrangente que vai em direção à total erradicação da autoridade familiar e à sua substituição pelo poder impessoal da burocracia.” ( Carvalho, 2012)

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