Blog: um gênero textual digital1

Blog vem da abreviação de weblog: web (tecido, teia, também usado para designá-la o ambiente de Internet) e log (diário de bordo). É uma ferramenta do mundo virtual que permite aos usuários colocar conteúdo na rede e interagir com outros internautas. Os blogs surgiram em agosto de 1999 com a utilização do software Blogger, da empresa do norte-americano Evan Williams. O software fora concebido como uma alternativa popular para a publicação de textos on line, uma vez que a ferramenta dispensava o conhecimento especializado em computação. A facilidade para a edição, atualização e manutenção dos textos em rede foi, e são, os principais atributos para o sucesso e a difusão dessa chamada ferramenta de auto-expressão. A ferramenta permite, ainda, a convivência de múltiplas semioses, textos escritos, imagens (fotos, desenhos, animações) e som (músicas).

 Vários Blogs são pessoais, exprimem idéias ou sentimentos do autor. Outros são resultados da colaboração de um grupo de pessoas que se reúne para atualizar um mesmo Blog. Alguns blogs são voltados para a diversão, outros para o trabalho (discussão de projetos e apresentação de soluções), outros, ainda, para pesquisas e há, até mesmo, os que misturam tudo.

Hoje a globalização nos coloca frente a frente com uma nova ordem mundial: a tecnocracia, que nos coloca como desafio de uma forma, no mínimo diferente, de abordar os materiais legíveis e, por conseguinte, interpretar o mundo.

Quando se fala textos produzidos na Internet, deve-se falar em hipertexto. Para Xavier, (2004, p.171) hipertexto é uma forma híbrida, dinâmica e flexível de linguagem que dialoga com outras interfaces semióticas, adiciona e acondicionam à sua superfície formas outras de textualidade.

Na escala sócio-histórica os textos são produtos da atividade de linguagem em funcionamento permanente nas formações sociais em função de seus objetivos e interesses; essas informações elaboram diferentes espécies de textos, que apresentam características relativamente estáveis: os gêneros textuais. Os gêneros de textos ficam disponíveis no intertexto como modelos indexados, para os contemporâneos e para as gerações posteriores sendo assim, o blog já se encontra indexado com valores sociais (ideológicos) que lhe são atribuídos pela sociedade onde circulam.

Para Marcuschi (2004, p.15) “fato inconteste é que a Internet e todos os gêneros a ela ligados são eventos textuais fundamentalmente baseados na escrita”. Sendo o Blog  objeto de estudo deste trabalho, um gênero textual ligado à Internet e fundamentalmente baseado na escrita, devemos fazer algumas considerações: para  produzir um texto, o agente deve mobilizar suas representações sobre o contexto de ação (de linguagem) dessas representações emergem os conteúdos temáticos referentes (temas) a serem  verbalizados no texto. Segundo Bronckart (1997/2003) pode-se considerar todo gênero por três dimensões essenciais:

 1) os conteúdos que são dizíveis por meio dele (referentes); a estrutura composicional particular dos textos pertencentes ao gênero;

2) as configurações específicas das unidades de linguagem, que são traços do enunciador,

10.1. O plano textual geral do gênero

Para podermos escrever o plano textual geral do Blog devemos, primeiramente, analisar as condições em que o texto é produzido. O Blog se inscreve no quadro das atividades de uma formação social, isto é, no quadro de uma interação comunicativa que implica o mundo social (normas, valores, regras, etc) e, o mundo subjetivo (imagem que o agente dá de si ao agir). Esse contexto sócio subjetivo também pode ser decomposto em quatro parâmetros principais:

O lugar social em que a interação o texto é produzido: escola família, mídia, igreja, interação comercial, interação do cotidiano, etc. Os blogs são produzidos tanto em casa, quanto na escola, num cybercafe ou em lanhouses. Podendo ser modificado diariamente ou conforme o blogger2 achar melhor.

 Posição social do emissor, que agora lhe dá o estatuto de enunciador. Qual o papel social que o emissor desempenha na interação em curso: de professor? De pai? De aluno? De superior hierárquico? De amigo? Na maioria dos casos estudados, o emissor tem a posição de amigo, mesmo quando há uma relação professor aluno, pois a linguagem e a informalidade fazem com que isso seja possível. Mas cabe ressaltar que qualquer pessoa pode interagir num blog, desde que possua as habilidades e ferramentas  necessárias para tal.

 A posição social do receptor que lhe dá seu estatuto de destinatário. Qual é o papel social atribuído ao receptor do texto: papel de aluno? De filho? De amigo? De subordinado? Aqui cabe o que foi dito sobre a posição social do emissor, com relação aos blogs.

 O objetivo da interação: qual é do ponto de vista do enunciador, o(s) efeito(s) pretendido(s) que o texto pode produzir no destinatário. No caso do blog, os efeitos variam de acordo com o assunto em questão. Pode-se provocar diversos tipos de reação e estes variam de acordo com quem lê, já que o conteúdo é aberto para toda a rede.

A partir dessas considerações, pode-se descrever o plano textual do blog que, para Bronckart, refere-se à organização de conjunto do conteúdo temático, mostrando-se visível no processo de leitura.

        

Em relação ao gênero blog, o plano geral se apresenta assim:

a) No cabeçalho é apresentado o nome e um resumo do tema do diário.

b) As laterais são usadas, em geral, para mostrar o perfil do dono do blog e seus contatos e, ainda, arquivos de textos e fotos já publicados, além de endereços e comentários recomendados pelo blogueiro.

c) O texto que se apresenta vem acompanhado de assinatura, data e horário em que foi escrito. O dono do blog coloca também atalhos para que o leitor possa encontrar outros textos com o mesmo tema, ou aos quais o texto principal faz alusão.

d) Há um espaço para que o leitor do blog deixe seu comentário.

Os blogs podem apresentar muitos desenhos, figuras, letras “animadas”, inúmeros tipos de recursos são oferecidos aos blogueiros, e estão ao alcance de todos que procuram um site para a construção do seu próprio blog. Os temas encontrados nos blogs são tão diversos quanto o horizonte ideológico de “autores”, tudo depende da faixa etária do blogueiro e da intenção que ele teve ao criar o seu blog. Para alguns é mais uma forma de divertir-se e comunicar-se através da Internet, para outros uma ferramenta de trabalho e um espaço a mais para divulgações e discussões.  

 

Os tipos de Blogs podem ser:

a) Diários – O tema é a vida pessoal do autor, que relata fatos cotidianos.


b) Opinativos – Textos argumentativos que expressam a opinião do(s) autor(es). O blog pode ter um tema central ou tratar de generalidades.

 Alguns jornalistas mantêm páginas de publicação desse modelo na rede.


c) Literários – Pode ser um espaço para a publicação de contos, crônicas, poesias e até romances, em capítulos, de autoria do criador.

 

d) Clippings – Apanhado de links e/ou recortes de outras publicações online.


 e) De guerra – Relatos sobre a vida em países em situação de conflito.


 f) Mistos – Misturam textos pessoais e informativos. Em geral, combinam relatos pessoais e comentários do autor sobre notícias que circulam na mídia. (Baseado em artigo da acadêmica Raquel da Cunha Recuero)3        

 

1FELIS, Cláudia Cristina GATT; NASCIMENTO, Elvira Lopes- BLOG: um gênero textual a ser desconstruído e descrito na abordagem do interacionismo sócio-discursivo- FACCAR-Eventos de Letras- 2005- Rolândia – PR.- Texto.13.

Disponível em: a href="http://www.faccar.com.br/eventos/desletras/hist/2005_g/2005/textos/013.html">http://www.faccar.com.br/eventos/desletras/hist/2005_g/2005/textos/... > Acesso em: 8 de outubro de 2010.

2 Blogger- Provedor gratuito –Disponível em: /sup>www.blogger.com.br >

3RECUERO, Raquel - pesquisadora vinculada ao CNPq, com vários projetos contemplados com apoio financeiro. Desde 2009, é pesquisadora-colaboradora do Center for Society and Cyberstudies e do Digital Media and Learning Research Hub. Tem experiência na área de Comunicação e Linguüística Aplicada, com ênfase em redes sociais na Internet, conversação mediada pelo computador, difusão de informações na Internet e jornalismo digital.

Bibliografia:

      FELIS, Cláudia Cristina GATT; NASCIMENTO, Elvira Lopes- BLOG: um gênero textual a ser desconstruído e descrito na abordagem do interacionismo sócio-discursivo- FACCAR-Eventos de Letras- 2005- Rolândia – PR.- Texto.13. Disponívelem:a href="http://www.faccar.com.br/eventos/desletras/hist/2005g/2005/textos/013.html">http://www.faccar.com.br/eventos/ desletras/hist/2005g/2005/textos/... > Acesso em: 8 de outubro de 2010.

     MAINGUENEAU, Dominique. Tipos e gêneros de discurso . In: Análise de textos de comunicação , trad. de Cecília P. de Souza-e-Silva, Décio Rocha , São Paulo: Cortez, 2001. p. 59-70. MARCUSCHI, L. A.; XAVIER, A. C. Hipertexto e gêneros digitais. Rio de Janeiro:Lucerna,2004.

      MORAN, JOSÉ MANUEL (2002). Ensino e Aprendizagem Inovadores com Tecnologia.a href="http://www.eca.usp.br/prof/moran/">http://www.eca.usp.br/prof/moran/ > Acessado em 19/ 2012.

      RODRIGUES, Charmene Ribeiro. Os problemas de tradução do Blog “Generación Y” de Yoani Sánchez: Uma análise dos textos traduzidos para o português. Tese de mestrado- INTERNATIONAL COURSES COLLEGE INTERNACIONAL- 2010.

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