LÚDICO - Princípio Metodológico para o Ensino[1]

LÚDICO - Princípio Metodológico para o Ensino[1]

Sueli Pecci Passerini

Doutora em Psicologia

 

O homem só brinca quando é homem no pleno sentido da palavra, e só é homem quando brinca

Friedrich Schiller

O lúdico representa o brincar, o jogo e a arte que despertam curiosidade, imaginação e criatividade gerando prazer no aprendizado e um conhecimento significativo, em qualquer fase da vida. Mas, principalmente, representa desde o brincar criativo e espontâneo da criança até a expressão máxima do artista.

O artista expressa um saber distinto da objetividade do cientista, pois, o conhecimento tem duas faces: a lógica e a analógica. A ciência se complementa com a arte e suas expressões em um conhecimento mais completo da realidade.

A obra de arte é uma forma ordenada e expressiva da relação do ser humano com o mundo e consigo mesmo. Uma boa aula pode ser uma “obra de arte”, pois revela a relação professor-aluno em um processo cognitivo ordenado e mútuo, mas também, flexível e criativo.

A aprendizagem fundamentada nos conceitos de homem e sua educação estética[2] podem orientar a criação de aulas ao se conhecer uma determinada relação dos três âmbitos do processo do aprendizado: o agir, o pensar e o sentir.

Há três níveis de aprendizagem: a vivência que permite perceber o tangível e agir na realidade; a vivência subjetiva no sentir que elabora a experiência e seu significado, possibilitando alcançar o conceito pelo pensar. A relação entre as dimensões citadas tem por objetivo o conhecimento, não a mera informação.

No agir predomina o inconsciente e a busca do prazer relacionado ao corpo e seus órgãos de sentidos, os instintos e os desejos, a dimensão natural do ser humano.

No pensar o eu consciente busca o significado do mundo e de si mesmo, a realização de metas e ideais relacionados ao âmbito espiritual (ideal).

O sentir é o aspecto central da alma, relaciona-se ao lúdico, é o que motiva, interessa e estabelece o vínculo. Encontra-se na sinergia entre o pensar e o agir que se expressa na cultura e suas expressões, possibilitando a educação do homem estético nas capacidades de simbolizar, imaginar, criar e viver a arte.

A educação centrada na arte possibilita ao homem conhecer e limitar o pensar intelectual e abstrato ou à fantasia tresloucada dos sentidos. Assim, a razão irá surgir da união do intelecto com o sentimento e do pensamento com a matéria.

Para Friedrich Schiller o ideal do belo na matéria é realizado pelo homem por aproximações entre o pensar e o agir por intermédio da arte que é ... ‘filha da liberdade’.[3]  

A sinergia entre pensar e agir pelo lúdico ou educação estética possibilita ao homem sua humanização pela cultura, e o desenvolvimento de seu potencial pela arte que promove a criatura em CRIADOR.

Aprendizagem e o Lúdico no Ensino

No ensino predomina o pensar intelectual e as concepções teóricas que ampliem o conhecimento, organizando as experiências e informações num todo coerente. O lúdico auxilia o aprendizado, ao despertar sensação de prazer, possibilitando associar o conceito à experiência para um conhecimento significativo.

O pensar pautado na consciência objetiva explicita-se na: definição ou conceito; orientação; retrospectiva e prospectiva; avaliação; reflexão e síntese; relação entre conteúdo abstrato e simbólico; pergunta e resposta; exercício analítico.

O agir responde por automatismos e expressões do corpo, em que o inconsciente predomina e pode apresentar-se na: associação livre; na ação de escrever, desenhar, pintar e dançar. O bem-estar e a expressividade do corpo são considerados importantes para o aprendizado.

O sentir - lúdico é a mediação pelas artes que atinge o sentimento de prazer ou desprazer. Sua atuação simbólica responde pela vivência subjetiva, semiconsciente de todas as formas de expressão artística.

Considera-se que o professor é uma personalidade única e a comunicação de seu conteúdo e experiência pode ser enriquecida por uma concepção que auxilia e justifica o lúdico em sua docência. Porém, é essencial que cada um encontre as atividades lúdicas mais adequadas ao seu perfil e conteúdo. Em minhas aulas, muitas vezes, associo o pensamento lógico ao analógico  (lúdico, portanto), com a narração de contos, mitos e momentos biográficos de figuras célebres da História, pois sou uma contadora de histórias.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PASSERINI, Sueli Pecci. O Fio de Ariadne – um caminho para a narração de histórias. São Paulo: Antroposófica, 1998.

PASSERINI, Sueli Pecci. Poética no desvelamento do Mito Pessoal – Uma proposta de método para o autoconhecimento. Tese de doutorado em Psicologia apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. São Paulo: 2004.

SCHILLER, Friedrich. A educação estética do homem - numa série de cartas. São Paulo: Iluminuras, 1990.



[1] Artigo baseado no Trabalho de conclusão O Lúdico como princípio metodológico para o ensino superior. Curso de pós-graduação da FAAP -  Master em Tecnologia Educacional – 2004

 

 

[2] SCHILLER, Friedrich (1759–1805). A educação estética do homem - numa série de cartas. São Paulo: Iluminuras, 1990.

[3] SCHILLER apud PASSERINI, 2004, p.63

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