Por que a educação musical é fundamental na infância?

A musicalização é um processo cognitivo que contribui para diversos aspectos do desenvolvimento humano: psicomotor, sócio-afetivo e linguístico, dentre outros fatores. 

Com a homologação da Lei nº 11.769/2008, que altera a LDB de 1996, tornando a música conteúdo obrigatório nas escolas brasileiras, se intensificaram as discussões  e debates sobre esse tema. Inúmeros estudos, pesquisas e artigos, comprovam a importância da música no contexto escolar, bem como sua importância para o processo de ensino e aprendizagem em geral. A música é uma linguagem que todos os alunos precisam conhecer. 

Esse artigo tem o objetivo de propor a discussão quanto à aplicação da educação musical nas escola da rede pública e privada e fazer uma reflexão sobre a importância da música na educação para a formação dos futuros cidadãos.

A Música na escola tem a missão de formar cidadãos plenos, capazes de exercer sua cidadania. Diante dessa missão, se faz necessária uma discussão no sentido de tornar o ensino da música nas escolas mais atrativo e eficiente, alinhados com as necessidades de nossos jovens, e ao mesmo tempo, conscientizar e alertar os educadores e gestores educacionais para a importância de se oferecer um curso de música voltado para uma formação humanista, incluindo todos os alunos em um processo de aprendizagem musical, independente de suas habilidades ou limitações técnicas.

A música é um importante meio de comunicação e expressão existente em nossas vidas, e por isso, sua inserção no contexto escolar foi regulamentada por uma Lei Federal. Isso representa um grande avanço no processo de escolarização das crianças e jovens em idade escolar, pois, de acordo com várias pesquisas científicas, o engajamento ativo com música promove:

• O desenvolvimento da sensibilidade estética e artística de crianças e adolescentes;
• A leitura e compreensão crítica do universo musical do meio social e cultural que está inserido;
• O respeito à diversidade cultural;
• O desenvolvimento do potencial criativo dos alunos;
• O desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicomotor;
• O desenvolvimento de habilidades sociais (cooperação, respeito ao próximo e auto-estima);
• O desenvolvimento da comunicação verbal e não-verbal. 

Em muitos países, como a Finlândia, a educação musical é considerada fundamental na formação do indivíduo, e é utilizada não apenas com o intuito de preservar as suas raízes culturais, mas para promover e auxiliar no desenvolvimento das múltiplas inteligências do aluno, bem como desenvolver habilidades intelectuais específicas, e o Brasil deveria seguir esse exemplo.

Alem de promover um melhor equilíbrio emocional, a música estimula a concentração, a atenção, a memória, a percepção auditiva, o raciocínio abstrato, a imaginação e a criatividade. Pesquisadores da teoria das inteligências múltiplas afirmam que a habilidade musical é tão importante quanto a logica-matemática ou a lingüística, por auxiliar outros tipos de raciocínio. Pesquisas na área de neurociências comprovam que a memória, a imaginação e a comunicação verbal e corporal ficam mais aguçadas nas pessoas que escutam, estudam e praticam a música. 

Pesquisas do neurologista Oliver Sacks, escritor do premiado livro Musicophilia, indicam que o aprendizado de novas palavras pode ser facilitado com o uso da música, pois mais regiões do cérebro são ativadas por meio da música do que com a fala. Dessa forma, escutar música com crianças que estão aprendendo a falar é uma importante ferramenta para desenvolver todo o potencial de linguagem dos pequenos.

Já o psicólogo Gleen Schllenberg, da Universidade de Toronto, no Canadá, chegou a conclusão de que crianças com atividades relacionadas à música tornam-se mais inteligentes. Após nove meses de prática musical, como aulas de instrumentos e canto, o QI de todas as crianças subiu em média 4,3 pontos.

Tendo essas pesquisas como base, vemos o quanto é necessário que os pais estimulem a aptidão musical de seus filhos e cobrem as escolas para que aulas de música sejam inclusas de forma efetiva na grade curricular. Inclusive, esse é um direito dos alunos desde agosto de 2011, prazo máximo para a adequação das escolas de acordo com a Lei nº 11.769/2008.

Em minha experiência com crianças do Ensino Fundamental, testemunhei a estimulação da socialização e da liberdade de criação durante as aulas de música. Não basta executar de maneira correta os acordes ou cantar com afinação, precisamos incentivar a produção, a composição e a audição crítica. Assim, além de acelerarmos o desenvolvimento dos alunos, contribuímos para a formação de cidadãos engajados.

Para o pleno aproveitamento da música como ferramenta para desenvolvimento da linguagem, socialização e cognição, a sociedade deve manter-se alerta quanto ao cumprimento da lei, cobrando das instituições de ensino e dos órgãos governamentais competentes, uma educação musical que deve atender no mínimo, os seguintes requisitos:

• Proporcionar a todos os alunos do ensino básico, o acesso a um curso de música que propicie desenvolver a criatividade, a sensibilidade e a integração com outros alunos;
• Assegurar a jovens adolescentes um ensino musical pautado numa proposta curricular fundamentada em teorias e modelos recentes de desenvolvimento musical nacional e internacional;
• Ampliar o acesso à pluralidade musical e entendimento das relações entre o ser humano e a música, desenvolvendo nos alunos a capacidade de manifestar de forma prática o conteúdo aprendido;
• Correlacionar o ensino de música a outras áreas do conhecimento, empreendimento reflexivo em relação às implicações músico-históricas, estético-musicais, musico-psicológicas, sócio-musicais, etnomusicológicas, teórico-musicais e acústicas;
• Oferecer um curso de música voltado para uma formação humanista, incluindo todos os alunos em um processo de aprendizagem musical, independente de suas habilidades ou limitações técnicas.
• Expandir o universo musical do aluno, que muitas vezes se limita ao que é oferecido pelas mídias. O adolescente tem um conceito formado sobre música, geralmente associado com a forma de se vestir e o senso de inclusão em um grupo com determinada ideologia. A educação musical deve estimular a apreciação, execução e composição musical, trabalhando em primeiro lugar a conscientização do que o aluno ouve, estimular a reflexão pelo motivo da preferência, demonstrar a função da música na vida dele e na sociedade e, aos poucos, introduzir um novo universo musical, apresentando diversos gêneros e músicas de outras culturas".

Em um mundo com informações tão ágeis e voláteis, criar pessoas capazes de analisar cenários e tirar suas próprias conclusões é uma forma de contribuir para o desenvolvimento do nosso País, em todos os aspectos. Educando os nossos filhos com base no humanismo inerente às artes, criamos o ambiente propício à experimentação, criação e a uma interação saudável com a sociedade e a natureza. Assim, a música pode ser um importante alicerce para a edificação de um novo tempo, de uma nova era da educação de base no Brasil.
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Jobert Michel Gaigher - Mini-Currículo -

 
Músico profissional, com profundo conhecimento das tecnologias aplicadas à música e ao áudio desde o início da revolução digital. Entre os anos de 2001 a 2003 foi gerente técnico da Quanta Service, e em 2003 mudou-se para Londres, onde aprimorou seus conhecimentos musicais e artísticos com experiências ímpares junto a outros músicos, participando de vários festivais e eventos no Reino Unido, Espanha e Itália. Em 2008 retornou ao Brasil, inaugurando a CIA Araraquariana de Multiartes, com a qual montou os espetáculos “O Homo Artisticus Artisticus” e “Os Prosoprotrópicos”, reunindo tecnologia, teatro, dança, música e poesia. Em 2009 assumiu a coordenação da Quanta Educacional, e tem trabalhado intensamente para transmitir todo o conhecimento em música e tecnologia musical adquirido em todos esses anos, em prol da educação musical no Brasil.

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